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Os animais também sofrem na construção civil

Os animais também sofrem na construção civil

Que a indústria da construção civil tem grande impacto ambiental a gente já sabia, mas você parou para pensar no sofrimento animal envolvido?

A construção civil é sim uma atividade importantíssima para nossa sobrevivência e para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, mas a verdade é que o mercado da construção é também muito destruidor. Um paradoxo que a gente mais ou menos já conhece.

A indústria envolvida nessa área gera um grande e negativo impacto social e ambiental: há processos que envolvem escravização de mão de obra, geração de resíduos sólidos, poluição, desmatamento, além do consumo abusivo de água e energia.

E do ponto de vista animal, quanto a construção civil pode ser danosa? Bom, se ela prejudica o meio ambiente, deduzimos que afete diretamente a muitos animais, verdade? Mas como?

Pontuamos 5 etapas de obra onde pode existir sofrimento animal. Acompanhe!

1. Loteamento

Quando uma área vai ser loteada, ou quando um edifício será construído, ou ainda uma ponte a ser instalada, não importa a dimensão da obra: algum tipo de desmatamento acontecerá na área a ser trabalhada.

E, quando isso acontece, para onde vão os bichinhos que vivem ali? Afinal, onde há vegetação, há também alguma espécie animal compondo aquele bioma.

Não trago boas notícias: alguns dos animais morrem no próprio processo de desmatamento.

Os animais remanescentes acabam tendo que migrar para outras áreas, muitas vezes menos ricas em alimentos, com menor quantidade de abrigos naturais e menos seguras, o que os faz ficarem mais expostos a predadores (inclusive humanos).

2. Limpeza do lote

Depois do desmatamento de forma mecânica, ou seja, árvores e arbustos retirados do local, costuma-se finalizar o processo de “limpeza” do terreno ateando-se fogo nas gramíneas e em outras vegetações rasteiras. Esse processo é feito para garantir que toda a vegetação seja retirada e exterminada a matéria orgânica viva presente na superfície do solo.

Acontece que nessa matéria orgânica estão pequenos animais, como insetos, répteis, moluscos e microrganismos. A maioria deles evidentemente morre, e os poucos os que sobrevivem têm o mesmo fim que os primeiros fugitivos.

3. Extração de matéria-prima

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Está parecendo repetitivo? A verdade é que a alteração dos biomas naturais e a derrubada das vegetações são sim os grandes vilões dos animais silvestres.

No caso da madeira, você já deve imaginar. A derrubada de árvores para a extração da madeira é extremamente danosa, não só para nós humanos, por conta da mudança do bioclima natural da região, como também para as espécies que vivem ali e estão ambientadas naquele local.

O desequilíbrio também acontece durante a extração de minerais: pedras; metais; petróleo etc.

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A exploração de jazidas pode ser muito agressiva para a flora e a fauna da região. A interferência na vida natural se dá pela própria ocupação humana, pela modificação forçada da geografia, pela geração de ruídos e vibrações do terreno e pela contaminação dos solos e lençóis freáticos causada por produtos químicos utilizados na identificação e separação dos minerais.

Com mudança da situação normal, isto é, sem as sombras, sem os troncos e sem as formações rochosa que serviam de abrigo e fontes de alimento, muitos animais se veem obrigados a, mais uma vez, sair de seu habitat, ou então morrem de fome pela escassez (isso quando não morrem durante as escavações e perfurações).

4. Transporte de materiais e resíduos

Terreno limpo, matéria-prima coletada, pronto, foi difícil, mas pelo menos o sofrimento animal acabou. Ledo engano: muitos animais são usados como transportadores da própria madeira ou de outros materiais até as estações de beneficiamento ou até mesmo ao local da obra.

São bois e vacas, jumentos, burros ou cavalos, puxando carroças ou levando em seu próprio lombo o peso da construção ou até mesmo os resíduos gerados por ela.

5. Pinturas

Terreno limpo, matéria-prima extraída, casa construída, resíduos coletados… o que mais pode acontecer de mau aos animaizinhos? Infelizmente, ainda é possível surgir fontes de exploração animal.

Pois é, algumas marcas de tintas fazem testes alérgicos em animais, e muitas pinturas, tanto usadas para fins artísticos, quanto aplicadas em paredes, possuem em sua composição proteína ou gordura animal, utilizadas como espessantes. Algumas adicionam até mesmo aminoácidos da seda e cera de abelha para agregar umectância durante o manuseio da tinta e brilho no acabamento.

Mas, felizmente, já há marcas, visando aos consumidores veganos, que passaram a anunciar que não utilizam animais em sua fabricação. Foquemos nessas.

Arquitetura vegana: é possível?

Depois de tudo isso você provavelmente está pensando em morar na rua só para nunca mais ter que entrar num edifício né? Ou então desanimou de construir sua própria casa e já odeia todos os construtores, engenheiros e arquitetos.

Antes de tudo, lembre-se de que o veganismo é fazer o máximo possível e praticável.

Felizmente hoje em dia já é possível ter uma construção sem sofrimento, de forma menos impactante para o meio ambiente e ter como um resultado conforto e qualidade de vida sem peso na consciência.

Por favor, não esmoreça, vamos juntos mudar essa realidade.


Fontes:

Imagem da abertura: RIA SOPALA NO PIXABAY


Aneli Dias Borges-Garcez é parte integrante da natureza, arquiteta, especialista em Arquitetura Sustentável. Acredita na arquitetura e no design como ferramentas para promover qualidade de vida, saúde, produtividade e bem-estar. Siga no Instagram @aneli_dbg


Um comentário

  1. 👏🏼👏🏼Muito interessante. Uma linha de pensamento que realmente passa despercebido por muitos. Estarei atento a próximas construções civis. Ótimo material, parabéns a autora.

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