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7 substituições para decorar sua casa sem crueldade animal

7 substituições para decorar sua casa sem crueldade animal

Você já parou para pensar se na decoração da sua casa tem elementos que contribuíram para o sofrimento ou exploração animal? Entenda mais no post.

Quando passamos a nos preocupar com a integridade da natureza e o bem-estar dos animais, nosso estilo de vida muda: os alimentos, as roupas, os cosméticos, e até os produtos de limpeza que compramos ganham atenção especial. Eles têm que ser sustentáveis e, principalmente, cruelty-free. E quanto ao lugar onde vivemos? A decoração da nossa casa tem elementos de origem animal ou que contribuíram para o sofrimento ou exploração de algum deles? Já parou para pensar sobre isso?

Separamos 7 materiais cruéis para os animais que podem estar presentes na decor de sua casa e para cada um sugerimos substituições menos cruéis para os animais e para o planeta. Confira!

1. Couro e camurça

Esses são os mais óbvios dos materiais de origem animal: ambos são produtos de pele curtida. O couro é feito com a parte externa da pele, considerada mais resistente, e a camurça é feita com a parte interna, mais frágil e mais delicada, resultando em um têxtil felpudo e macio.

Os animais que normalmente têm a sua pele transformada em couro são cabras, vacas, porcos e cordeiros. No caso da camurça, além desses, inclui-se o camurça, um caprino europeu que deu origem a seu nome. 

camurça crueldade animal
Raindom no Pixabay

Na decoração, a camurça e o couro são muito presentes nos estofados: sofás, poltronas e almofadas, e ganham status de nobreza quando são revestidos nesses materiais. Isso porque eles são relativamente caros, mas, convenhamos, nada que seja fruto de exploração deveria ser considerado nobre.

Se a intenção é ter uma textura sofisticada e prática, há muitos materiais sintéticos que imitam o couro: alguns se intitulam couro ecológico, mas fiquemos tentos porque para ser eco tem que ter também origem sustentável, tingimento natural e alta durabilidade. O suede é uma excelente substituição à camurça, tem toque suave e é facilmente lavável.

2. Pele

A pele é a mais comentada da lista. A indústria da moda já baniu seu uso, mas, por incrível que pareça, há quem defenda seu glamour.

São muitos os animais de quem se costuma usar a pele. Eles podem ser criados em cativeiro (chinchilas, coelhos, martas etc.) ou caçados (focas, ursos, lontras etc.).

como substituir pele animal na decoração
Francesco Bovolin no Pixabay

Na decoração, a pele vira mantas, almofadas e tapetes.

Geralmente a coleta da pele é feita no inverno, quando o animal está com pelo mais longo, volumoso e brilhante. O mais triste é que, para que seja totalmente aproveitada, é importante não deixar marcas na superfície; por isso, os bichinhos são mortos a pauladas, estrangulados ou eletrocutados. Em casos ainda piores, retira-se a pele do animal com ele ainda vivo.

Ninguém precisa causar sofrimento para ter uma casa de revista. É muito melhor usar tapetes e mantinhas de fibras vegetais ou mesmo sintéticos – já tem empresas fazendo tapetes até mesmo de pet reciclada. A variedade de cores e texturas é incrível, há até as que imitam pele animal, para quem assim preferir.

3. Lã 

O uso da lã é bastante controverso. A lã é derivada do pelo da ovelha que, depois de tosquiado, é processado industrialmente e tem aplicabilidade têxtil.

Alguns criadores afirmam que o tosquiamento, na verdade, é benéfico para a ovelha, pois ajuda em sua higiene e na autorregulação térmica de seu corpo durante as estações mais quentes. O problema é que colocar os animaizinhos numa cadeia de produção já configura exploração: eles são tirados de seu habitat natural, submetidos a um comportamento doméstico e muitas vezes vivem em excessiva aglomeração.  E, se o tosquiamento se justificasse pelo calor, o ideal seria que fosse feito apenas no verão; no entanto, alguns criadores tosquiam até quatro vezes ao ano.

lã e veganismo
Knud Erik Vinding no Pixabay

A lã é usada como isolante térmico na construção civil e até mesmo na fabricação de refrigeradores. Na decoração, a lã, assim como a pele, pode aparecer em capas de almofada, mantinhas e tapetes.

Fibras vegetais podem substituir a lã tanto em seu conforto, quanto em seu aspecto. Tencel (ou lyocell), que é produzido a partir de celulose de madeira; fibra de soja e bambu são exemplos de materiais, que além de cruelty-free, são biodegradáveis.

4. Seda

O fio da seda é resultado do desmembramento do casulo de larvas de insetos, conhecidos como bicho da seda. Esses insetos alimentam-se de folhas de amoreira e tecem os seus casulos enquanto se preparam para evoluir e voar, tal qual as borboletas. A seda é o próprio casulo, que, na verdade, é uma fibra proteica chamada fibroína.

Vários são os insetos que produzem esses casulos, mas, no mercado têxtil, a seda das lagartas da mariposa é a mais comum. Essas lagartas são criadas em cativeiro, e, para manter o fio intacto, o processo de manufatura inclui cozinhar os casulos com os bichinhos ainda dentro. Ou seja, morrem fervidos.

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decorar sem seda
LoggaWiggler no Pixabay

Esse material está frequentemente nas cortinas, nas almofadas e até mesmo em algumas das mais chiques e caras roupas de cama. Estima-se que a seda tenha começado a ser produzida na China 2.700 a.C. e tenha sido difundida pela manufatura da Índia nos anos 300. Hoje, o Brasil ocupa o lugar de maior fabricante de seda do mundo.

O tecido da seda tem textura e brilho bem peculiares, mas outros tecidos têm beleza e toques semelhantes ou superiores: o algodão é um exemplo, que, quando em tramas bem fechadas, apresenta alto brilho e toque super macio. O linho é outra opção vegetal linda, confortável e elegante.

5. Marfim

O marfim é obtido de presas e dentes de diversos animais. Por serem maiores, porém, as presas de elefante são as mais valiosas.

Por causa, principalmente, da caça para apreensão do marfim, os elefantes correm sério risco de extinção. Segundo o Grande Censo dos Elefantes (GEC), entre 2007 e 2014 a população da savana, por exemplo, diminuiu em 30%. Estima-se ainda que, antes da colonização europeia, havia cerca de 20 milhões de elefantes nas Savanas Africanas. Segundo os cientistas, em 2025, no entanto, serão apenas 170 mil.

jarina como substituto do marfim
Kirsi Kataniemi no Pixabay

Na decoração, o marfim aparece em esculturas, caixas e cabos de pincel.

Uma substituta natural para o marfim é a, já popular, jarina, que é a semente de uma palmeira nativa da Floresta Amazônica, e possui dureza, textura e coloração semelhantes às do marfim.

6. Madrepérola

Quando um grão de areia, um parasita ou outro material orgânico entra em contato com a superfície que protege o interior de uma concha, ela deposita sobre ele o nácar, que é a mesma substância que compõe a parte interna da concha de vários moluscos. Daí inicia-se o processo de produção de uma pérola. Se esse fator externo for muito agressivo, a concha vai depositando ainda mais camadas, que se acumulam até criar uma estrutura dura e cintilante. Essa estrutura é a madrepérola.

Para extraí-las, as conchas precisam ser abertas, e, nessa ação, calcula-se que metade das ostras morre. Geralmente, a extração da madrepérola está associada à busca pela pérola, que se faz com a criação de ostras em cativeiro.

madreperola vegan
Silviarita no Pixabay

A madrepérola é muito usada em marchetaria. Vemos muito em caixas decorativas, bandejas e molduras de porta retratos.

Uma equipe de cientistas, na Universidade de Rochester, nos EUA, está em busca de desenvolver uma madrepérola artificial, que consistiria em sobrepor camadas de carbonato de cálcio cristalizado alternadas com um polímero pegajoso. O problema é que os processos de geração do carbonato de cálcio e do polímero não são veganos, pois exigem a presença de ureia.

Enquanto não aparece um substituto ideal, um bom plástico reciclado com efeito cintilante não há de cair mal.

7. Cera de abelha

Velinhas pela casa trazem aconchego e tranquilidade, verdade? Mas é bom observar que algumas são confeccionadas com cera de abelha.

A cera é produzida pelas abelhas na digestão do mel que elas ingerem. Elas organizam essa produção em favos e com esses constroem as colmeias.

vela vegana
Rebekka D no Pixabay

As opções de velas veganas mais saudáveis e sustentáveis hoje do mercado são feitas com cera de soja, e os aromas, claro, também têm origem vegetal. O bônus é que essas velinhas costumam ter uma queima mais demorada, o que quer dizer que sua casa fica cheirosinha por mais tempo.


Fontes:

Qual a diferença entre couro, camurça, nobuck, suede e veludo – Scarpa Couros
Camurça – Wikipedia
Que animais ainda são usados para fazer casacos de pele? – Mundo Estranho
Lã – Wikipédia
Tosquia de ovelhas – Wikipédia
Seda – Wikipédia
Marfim – Escola Britannica
Marfim e morte: massacre põe elefantes à beira da extinção – Exame
Madrepérola – Wikipedia
Madrepérola artificial – Inovação tecnológica
Cera de abelha – Wikipedia
Como é feito o tecido natural da seda: um processo mágico ou cruel? – Divaholic
Madrepérola inspira criação de cerâmica superdura – Instituto de Engenharia
Gosta de velas? 5 marcas artesanais brasileiras para você deixar sua casa mais perfumada – Follow the colours


E aí, curtiu as sugestões para você ter uma casa decorada de forma menos cruel? Você sabia de todas essas opções de substituição? Compartilhe conosco!

Aneli Dias Borges-Garcez é parte integrante da natureza, arquiteta, especialista em Arquitetura Sustentável. Acredita na arquitetura e no design como ferramentas para promover qualidade de vida, saúde, produtividade e bem-estar. Siga no Instagram @aneli_dbg


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