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Mudança de consciência no planeta – A Grande Virada

Mudança de consciência no planeta – A Grande Virada

Você já ouviu falar que estamos participando da Grande Virada no planeta? Saiba mais sobre como isso afeta a mudança de consciência.

Os primeiros sinais de colapso do planeta já foram reconhecidos há algumas décadas. Desde então vimos sendo levadas discussões internacionais sobre outras formas de desenvolvimento, um desenvolvimento sustentável. Essas discussões evoluíram, mas não a ponto de revertermos o processo das mudanças climáticas, da perda acelerada de biodiversidade, da contaminação das nossas águas, do nosso solo, perda de nutrientes, entre outras graves questões que enfrentamos.

Cientistas e ambientalistas trabalham muito para alertar a humanidade sobre os problemas na Terra. E atualmente, uma ameaça invisível, um vírus, nos faz parar e refletir sobre os rumos que estamos tomando. Sentimos na pele essa mudança profunda que está em curso.

Por isso, gostaria de trazer aqui um pensamento fundamental para esses tempos: estamos participando da Grande Virada! No começo dos anos 2000, a ecofilósofa Joanna Macy, ativista ambiental e estudiosa do budismo, da teoria de sistemas e da ecologia profunda, introduziu esse termo em seu trabalho. Como suas principais obras temos o livro “Nossa vida como Gaia” e “Esperança Ativa”.

A autora diz que a humanidade passou por grandes revoluções na história do planeta, como a (1) Revolução Agrícola a (2) Revolução Industrial, e agora estamos passando por uma grande revolução necessária para transformar a Sociedade de Crescimento Industrial em uma Sociedade que Sustente a Vida, que ela chama de (3) A Grande Virada.

Esta revolução acontece em três dimensões:

1. Agir em defesa da Vida na Terra. 

2. Analisar as causas estruturais e criar instituições alternativas

3. Mudança de consciência

1. Agir em defesa da Vida na Terra

Aqui entra todo o trabalho político, legislativo e jurídico para reduzir a destruição no mundo. Todas as ações diretas, campanhas, petições, boicotes, protestos para preservar a biodiversidade, a água, as florestas, o solo. Proteger vítimas de guerras, conflitos, desastres.

São AÇÕES DE CONTENÇÃO.

Quais projetos, coletivos, organizações vocês conhecem que estão trabalhando nesta dimensão?

Estas ações são essenciais e podem salvar muitas vidas nesse processo, mas sozinhas não são suficientes para fazer a Grande Virada acontecer.

2. Analisar causas estruturais e criar instituições alternativas

A Segunda Dimensão da Grande Virada diz respeito ao diagnóstico dos problemas estruturais em nossa sociedade e a criação de novos sistemas que contribuam para uma cultura regenerativa.

Nesse sentido, na segunda dimensão entra o trabalho de desmistificar os mecanismos da economia global. Questionar o consumo, o crescimento econômico, o modelo de desenvolvimento, os valores que estão por trás das instituições. Por meio de nossas escolhas sobre o que comprar, para onde viajar, em que investir nosso tempo, ajudamos a moldar a economia e desenvolver novos sistemas.

Nela entram também as iniciativas de construção de COMUNIDADES, organizações e instituições alternativas. Negócios sociais, projetos de agricultura sustentável, CSAs, ecovilas, cohousing, estações de permacultura, moedas sociais, projetos de novas economias… Todas estas iniciativas vão constituindo um mosaico desta sociedade que sustenta a vida.

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No entanto, estas estruturas precisam de raízes que as sustentem, e por isso a última dimensão da virada é:

3. Mudança de consciência no planeta

Esta dimensão representa a mudança na percepção da realidade em termos cognitivos e espirituais. Esta dimensão que dará o sustento para a nova sociedade.

A mudança da cosmovisão pode surgir pelo avanço do pensamento científico, com as novas lentes proporcionadas pela teoria quântica, pela astrofísica, pela teoria geral dos sistemas vivos ou pelas tradições e sabedorias dos povos nativos e ensinamentos religiosos. Estas lentes apresentam paralelos que reconhecem a interdependência de todas as coisas. Nesta dimensão reconhecemos o papel da música, da arte e de tudo que gera coesão no planeta. Assim podemos nutrir a vida com o senso de pertencimento, a compaixão e o cuidado.

Apenas com esta visão nos inspiramos a apoiar projetos que não têm um benefício individual imediato. Com esta visão buscamos onde e como podemos contribuir e servir à teia da vida.

Todos podemos fazer parte da Grande Virada no planeta. E você? Se reconhece fazendo parte da mudança? Como você se vê atuando?

Veja os capítulos iniciais do livro “Esperança Ativa” em: https://bambualeditora.com.br/esperanca-ativa-capitulos-iniciais/ 


Luíza Caldas é engenheira ambiental, fundadora da @vamos.coviver e do @obiobar. Permacultura, comunidades sustentáveis e conexão de pessoas.


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