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A importância da nutrição vegetal para melhorar a inflamação do corpo

A importância da nutrição vegetal para melhorar a inflamação do corpo

Se a qualquer dor que você sente, já corre para um medicamento, cuidado! Entenda um pouco mais a importância de comer melhor para cuidar de si!

A inflamação é uma reação natural em que o nosso organismo usa sinalizadores para nos informar que algo está errado. Vamos entender como isso funciona e qual a relação dela com a alimentação e o corpo? Para isso, o Will é nosso colunista da vez!

Uso de medicamentos para inflamações

Os anti-inflamatórios não esteroides (aspirina, paracetamol, ibuprofeno e diclofenaco) são o tipo de droga mais consumida no mundo industrializado, mobilizando um mercado anual de 6 bilhões de dólares. (Fonte: Cirurgia verde, de Alberto Peribanez Gonzalez, ed. Alaúde)

Estes medicamentos disponíveis hoje apresentam severas consequências para aqueles que delas se utilizam de forma cotidiana. O primeiro alvo de efeitos colaterais do uso de anti-inflamatórios é a mucosa gástrica, com possibilidade de gastrite, sangramento e úlceras.

A inflamação é a forma como nosso corpo sinaliza algo de errado em determinada região, logo, tomar anti-inflamatório para aliviar uma dor lombar, por exemplo, pode ser bem perigoso.

É óbvio que em uma situação cirúrgica, a analgesia e a redução dos sintomas inflamatórios é necessária, isto é, uma intervenção medicamentosa alopática anti-inflamatória pode ser eficaz no trauma. Mas é preciso tomar cuidado com a automedicação.

A dor lombar, do exemplo dado, pode refletir na verdade mau estado das vértebras, músculos e ligamentos, mostrando que o paciente nesse caso está com excesso de peso e mau condicionamento físico, apresenta desvios e alterações ósseas.

Muitas vezes tudo o que o paciente precisa é de uma mudança alimentar que diminua a cascata inflamatória e que também leve a perder peso, aumentando a força da musculatura paravertebral.

cuidado com a alimentação para reduzir inflamação
Freepik

Mas o que é inflamação?

Imagine que você bateu a porta do carro ou de casa em seu dedo. Ele fica vermelho, inchado e bem dolorido imediatamente. Horas depois, seu dedo está latejando e a dor é mais intensa. Isso acontece porque várias membranas celulares se romperam, liberando o principal componente da nossa “carne”, o ácido araquidônico (AA).

Componente da membrana celular, o AA é o precursor da prostaglandina-2 (PG-2), principal sinalizador inflamatório. O processo inflamatório é bem complexo e evolve muitos outros sinalizadores vasculares e imunes, e podem ser agudos ou crônicos.

O processo agudo, que acontece ali no momento do acidente, envolve a presença de células de defesa aguda e fenômenos vasculares causando inchaço e dor.

A hipersensibilidade (dor), a temperatura alta (calor), a vermelhidão (rubor) e o inchaço (tumor). Esses são os 4 sinais inflamatórios que impedem que você utilize essas regiões e trate de cuidá-las.

Se não fosse este processo natural do nosso organismo, você só iria perceber uma ferida, por exemplo, quando um cheiro subisse da sua ferida profunda já infeccionada, com pus até nos ossos. Trágico e esquisito né? Mas infelizmente isso acontece com diabéticos que desenvolvem uma doença secundária chamada neurite periférica, que mantém as extremidades, principalmente os pés, anestesiadas.

Relação da inflamação com a alimentação

Agora que entendemos para que serve a inflamação, já podemos dar graças a ela por nos permitir identificar uma área do corpo que foi ferida ou danificada. Mas qual é a sua relação com a alimentação?

Analisando a forma como grande parte da população vive hoje, nos dá a impressão de que o ser humano leva pancadas por todo o corpo. Dores articulares e musculares, cabeça, cólicas, lombalgias e todas as doenças que terminam com “ite” (bronquite, mastite, dermatite, colite, gastrite etc.) revelam que estamos padecendo de uma síndrome inflamatória generalizada.

A inflamação é o processo fisiopatológico mais importante por trás das alergias, dos acidentes vasculares e infartos, do diabetes mellitus, do câncer, da aterosclerose e até mesmo da depressão.

Mas o que está fazendo os mediadores inflamatórios agirem de forma sistêmica sem que tenha havido um trauma?

São muitas respostas, mas principalmente está naquilo que fazemos três vezes ao dia de forma inadvertida. Ingerimos diariamente agentes inflamatórios pela dieta, a saber: carnes e proteínas animais, laticínios, amidos e açúcar.

A associação entre proteína animal, amido e açúcar no café da manhã, almoço, lanches e janta faz com que a insulina aumente de forma exagerada. Uma verdadeira bomba inflamatória. E a insulina funciona como querosene na fogueira. Criamos um estado de inflamação crônica.

A cada refeição, transformamos precursores inertes em PG-2, os principais mediadores da dor e dos sinais de inflamação aguda.

Muita atenção aqui para veganos que costumam consumir exageradamente amido em forma de massas, pães e açúcar. Os crudívoros também não estão livres de se inflamar, basta exagerar no consumo de sucos de frutas sem fibras ou consumo elevado de ômega-6 através dos óleos vegetais e das sementes oleaginosas in natura ou nos queijos vegetais.

Se adotarmos uma nutrição baseada em plantas, alcalina, repleta de antioxidantes, com a quantidade de proteína equilibrada, pois o excesso também causa inflamação, com pouco ou nenhum açúcar e amido, mas permitindo, segundo a constituição física e atividades de cada um, algumas raízes, leguminosas cozidas, estaremos exigindo uma menor quantidade de insulina do pâncreas, o que é ótimo em todos os aspectos.

Para os diabéticos, que não dispõem de insulina ou não respondem à ação desse hormônio, utilizar uma dieta que exige pouca ou nenhuma insulina é algo mágico e reconfortante.

Além de sentir menos dores, a ausência de ação inflamatória reduz o edema do endotélio, promovendo estabilidade de todas as membranas epiteliais, sejam elas intestinais ou da pele, brônquicas ou gástricas.

E os casos crônicos de inflamação?

A inflamação crônica já é um tanto diferente, envolve outros elementos imunes de resposta tardia.

É importante saber que nos casos crônicos (artroses), algum lugar pode estar doendo, mas o fenômeno da inflamação é sistêmico, ou seja, ocorre em todo o sangue, plasma intersticial, células e tecidos do corpo. A inflamação se manifesta onde as condições osteoarticulares ou teciduais são propícias.

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No diabetes, em doenças cardiovasculares e no câncer, a inflamação ocorre no revestimento interno dos vasos. Isso leva a uma série de fenômenos que alteram o fluxo capilar (sangue nos menores vasos), conduzindo assim à baixa oferta de oxigênio e hipofunção dos tecidos vitais.

Nas doenças degenerativas neurológicas e na depressão, os fenômenos inflamatórios estão por trás das alterações, na quantidade e na qualidade dos neurotransmissores. Isso interfere na síntese e na distribuição sináptica da serotonina e das endorfinas, inclusive os núcleos da base do crânio, o que pode gerar doenças como a doença de Parkinson.

Inflamações crônicas e a nutrição vegetal

Felizmente, há estudos que mostram que mesmo quadros inflamatórios graves, como as fibromialgias e outras síndromes reumáticas crônicas, cedem ao retirar da dieta proteínas animais, laticínios, amidos e açúcar.

As doenças intestinais, como a colite ulcerativa, a doença de Crohn e, em menor escala, a síndrome de cólon irritável, respondem quase que imediatamente a uma nutrição vegetal, que “esfria” o processo inflamatório da parede intestinal imune.

Escolher uma nutrição vegetal é a base para a melhoria de dermatites, gastrites, bronquites, rinites, processos alérgicos de todos os tipos e as doenças sistêmicas que têm base inflamatória.

Além disso, diversos estudos mostram a redução de 85 a 90 por cento dos sintomas inflamatórios de vários tipos após a adoção de uma dieta baseada em plantas.


Interessante né? A ideia deste texto é que possamos entender como a inflamação funciona.

Fiquem ligados pois no próximo texto vamos tratar dos hábitos e dos alimentos que inflamam e os que ajudam no processo de desinflamação. Até breve!

Referência: Dr. Alberto Peribanez Gonzales, Cirurgia verde, ed. Alaúde.


Will Powa é skatista e descobriu na dieta Plant Based o verdadeiro remédio para curar e prevenir adoecimentos físicos e mentais, além de viabilizar o enorme potencial do organismo humano. Além disso, é terapeuta holístico em Barras de Access e Radiestesia, cursa nutrição e trabalha com acompanhamento em transições para dietas saudáveis. Conheça seu trabalho no Instagram @powahealthyfood !


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