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Como nos proteger de doenças neurológicas cuidando da nutrição

Como nos proteger de doenças neurológicas cuidando da nutrição

Muito provavelmente você nunca relacionou nutrição com transtornos mentais e doenças neurológicas. Então leia mais para entender se associam!

Muito provavelmente você nunca pensou na relação entre nutrição, transtornos mentais e doenças neurológicas.

Mas, como já vimos, o sistema digestivo está ligado diretamente ao cérebro, portanto a dieta e os fatores nutricionais estão diretamente relacionados a patogênese de doenças neurológicas.

Ou seja, as alterações psicológicas, emocionais e comportamentais podem estar diretamente relacionadas com a alteração do estado nutricional, da composição corporal e da função neuromuscular do indivíduo.

Doenças neurológicas e nutrição

A desnutrição é um fator comum em pacientes neurológicos e pode aumentar o risco de mortalidade, assim como as complicações clínicas.

Já a esquizofrenia, por exemplo, trata-se de uma alteração cerebral que dificulta o adequado julgamento sobre a realidade, produção de pensamentos e a elaboração de respostas emocionais, sendo uma das principais causas mundiais de incapacidade a longo prazo por estar relacionada a um prejuízo cognitivo, perceptual e comportamental.

Sabemos que esta é uma doença química cerebral decorrente de alterações em neurotransmissores nas vias neurais. Mas alguns estudos associam alguns fatores a este quadro: intolerância a certos alimentos e substâncias químicas, como leite, glúten, fumaça de cigarro e gasolina; deficiências ou dependências nutricionais, com uma necessidade anormal de certos nutrientes como vitamina B3, B6 e zinco; excesso ou déficit de determinados ácidos graxos; infecções desenvolvidas durante a gestação ou atuais; e o metabolismo anormal de carboidratos.

Deficiência de vitaminas

Logo, falemos aqui sobre a deficiência de algumas vitaminas e suas consequências.

Vitamina B

A deficiência da vitamina B3 afeta a transformação do triptofano, podendo ocasionar mudanças de humor negativas. Essa vitamina é necessária para o correto funcionamento de áreas vitais do cérebro e pode ajudar na atividade da acetilcolina, aumentando os níveis de serotonina, que é um tranquilizante natural.

A vitamina B6 é precursora de mais de 60 reações enzimáticas, por isso é necessária para o metabolismo adequado de todos os aminoácidos e para a manutenção do sistema imunológico.

Que responsabilidade!

Vitamina D

Outra doença que foi associada à deficiência ou insuficiência de vitamina D é a esclerose múltipla.

Uma alta ingestão de frutas e vegetais foi observada em estudos como possível causa da diminuição do risco da esclerose lateral amiotrófica. Isso também foi constatado quanto ao risco da doença de Parkinson. Portanto, um alto consumo de frutas e vegetais é uma grande solução.

Zinco

Níveis altos de uma substância chamada “Mauve Factor” têm sido observados em quantidades anormais na urina de pacientes com quadros esquizofrênicos, autistas, com déficit de atenção, hiperativos, com transtorno bipolar, síndrome de Down e alcoólatras.

Esta substância se une à vitamina B6 e ao zinco, esgotando-os mais rapidamente do organismo. Por isso é preciso intervir, suplementando zinco!

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Interação com medicamentos

Uma intervenção na dieta também pode ajudar com os efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para o tratamento desses transtornos, que normalmente são inúmeros.

Por exemplo, os medicamentos tranquilizantes ou calmantes podem causar deficiência de manganês, que auxilia o organismo na utilização de outros nutrientes. Sendo assim, a suplementação deste é essencial para um melhor resultado no tratamento.

Suprimentos naturais para combater as doenças

Portanto, se todas as substâncias químicas do corpo são produzidas por nutrientes, uma alternativa de equilibrar o nível dessas substâncias é através de manobras nutricionais.

Por exemplo, para suprir vitamina B6, algumas fontes são nozes, amendoim, avelã, milho e cereais de grão integral. Já as de B3 são o amendoim, castanha do Pará, batata-doce, cenoura, abacate, brócolis e cereais integrais.

Cuidados com a dieta

Claro que a dieta pode favorecer, mas também desfavorecer a inflamação. Ou seja, uma alta ingestão de gordura saturada e sal, assim como uma dieta precária em frutas e vegetais, produz um ambiente de maior risco de derrame, ou pode formar placas de gordura nas artérias do coração, causando aterosclerose e a doença isquêmica neurológica.

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Portanto, é possível tanto protegermos como cuidarmos do nosso sistema neurológico, e consequentemente do nosso estado psicológico, emocional e comportamental, através de uma dieta nutritiva e saudável, podendo até mesmo chegar na remissão dos sintomas de transtornos. Mas nada disso substitui, ainda, o acompanhamento profissional psicológico.


Referências:

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2.Medeiros F, Casanova M de A, Fraulob JC, Trindade M. How can diet influence the risk of stroke? Int J Hypertens. 2012;2012:763507.

3.Alharbi FM. Update in vitamin D and multiple sclerosis. Neurosciences (Riyadh).2015;20:329-35.

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7. Ref. LAZARUS, Pat. A Cura da mente através da Terapia Nutricional. Editora Campus. Rio de Janeiro. 1995. PHILPOTT, W. H.; KALITA, D. K. Brain Allergies. The Psychonutrient and Magnetic Connections. Second edition. Keats Publishing. Los Angeles.2000

8.https://geisamoterani.wordpress.com/2010/09/25/esquizofrenia-uma-abordagem-ortomolecular-e-nutricional/

9. Harris, L.W., et al., Schizophrenia: Metabolic aspects of aetiology, diagnosis and future treatment strategies. Psychoneuroendocrinology (2012), http://dx.doi.org/10.1016/j.psyneuen.2012.09.009

10. C.M. Palmer, J. Gilbert-Jaramillo and E.C. Westman, The ketogenic diet and remission of psychotic symptoms in schizophrenia: Two case studies, Schizophrenia Research, https://doi.org/10.1016/j.schres.2019.03.019


Natália acredita na harmonia entre (todos) os seres terrestres. É uma estudante da vida, psicóloga clínica e institucional, e adepta à alimentação consciente. Conheça seu trabalho no instagram @manifesto.psi!


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