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Ovo vegetal: a polêmica que gerou um debate sobre o veganismo

Ovo vegetal: a polêmica que gerou um debate sobre o veganismo

Estes são dois pontos de vista extremamente necessários que coexistem no movimento vegan: o político (no primeiro parágrafo) e o estratégico (no segundo). Uma vertente não anula a outra e é essencial compreender a existência das duas.

Na última semana de março rolou uma polêmica que dividiu os ativistas veganos: a maior granja da América Latina, a Mantiqueira, anunciou o lançamento de um ovo vegetal. O objetivo do N.Ovo, produzido sem nada de origem animal, é atender aos consumidores que são alérgicos ao ovo de galinha e, especialmente, à demanda por produtos veganos.

O produto é acondicionado em uma embalagem que imita as caixas de ovos que são encontradas nos supermercados, no entanto ele vem em pó. A ideia não é oferecer um ovo em si, mas possibilitar a substituição em receitas que necessitam desse ingrediente, como pães, massas e bolos.

Continue a leitura para entender melhor sobre o N.Ovo e toda a polêmica que esse assunto gerou nos últimos dias!

Discussão sobre o ovo vegetal

O Grupo Mantiqueira enxergou uma oportunidade de expandir os negócios no mercado de alimentos de origem vegetal, afinal, o número de consumidores veganos cresce exponencialmente todo ano. Já são 7 milhões de pessoas que optam por esse estilo de vida no mundo.

Nesse contexto, surgiu o N.Ovo, um substituto do ovo à base de vegetais cujo principal ingrediente é o amido de ervilha. Embora a embalagem seja idêntica à do ovo de galinha, o produto dentro dela é um sachê laminado de 132 gramas.

Trata-se de uma facilidade para aqueles que estão em transição para o veganismo, pois essa pode ser uma fase bastante complicada quando se está habituado com as diferentes formas de consumir ovos no dia a dia.

A grande problemática dessa novidade tem a ver com o fato de a Mantiqueira Ovos ter sido a primeira empresa a montar granjas automatizadas em solo brasileiro, fomentando a exploração de aves e incitando a concorrência a seguir o mesmo caminho.

Estamos falando de milhões de galinhas que são mantidas em cativeiro, exploradas durante toda a vida e cruelmente assassinadas quando perdem a capacidade de produção. Por causa de todo esse histórico, alguns ativistas acreditam que essa pode não ser a melhor opção para quem deseja viver o veganismo na prática, apesar de toda a facilidade que o N.Ovo oferece.

Tipos de veganismo: estratégico e político

substituicao do ovo

É natural ressurgirem velhas questões quando um produto desse porte é lançado no mercado. Algumas pessoas acham inadmissível tratar como vegano um item ofertado por uma empresa que explora animais na fabricação de seus outros produtos. Para elas, é como financiar indiretamente esse tipo de produção que vai contra os valores do movimento.

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Por outro lado, há quem entenda o N.Ovo como uma ótima forma de introduzir outras pessoas no mundo vegano. Além disso, se dificilmente alguém deixa de consumir em um restaurante não-vegano quando ele tem opção vegana em seu cardápio, por que o caso da Mantiqueira deve ser avaliado de outra forma?

Estes são dois pontos de vista extremamente necessários que coexistem no movimento vegan: o político (no primeiro parágrafo) e o estratégico (no segundo). Uma vertente não anula a outra e é essencial compreender a existência das duas.

Não tem nada de errado em discutir sobre o tema de forma madura, pois é natural que as pessoas não tenham as mesmas opiniões. Em todo caso, sabemos que financiar marcas que exploram animais de qualquer maneira é algo que realmente não podemos apoiar.

Ademais, existe mesmo a necessidade de se criar um ovo “em pó” para fazer boas receitas veganas? Não seria essa só uma sacada comercial da empresa em questão para incentivar ainda mais o consumismo?

Porém, será que nosso posicionamento não deveria ser outro quando uma empresa lança uma linha cruelty-free ou qualquer produto cuja proposta é atender ao público vegano?

Será que boicotar esses produtos livres de exploração e crueldade não poderia resultar em mais sofrimento para os animais? Será que não salvaríamos mais bichos se apoiássemos essa linha e provássemos à marca que ela não precisa explorar seres indefesos para ter lucro? Afinal, nós, consumidores, também podemos conscientizar.

Questão da sustentabilidade

A polêmica do N.Ovo vai além do dilema “consumir ou não?”. A questão da embalagem é outro problema, uma vez que estamos falando de sachês e não há nenhuma necessidade de existir uma caixa de proteção como ocorre com os ovos normais.

Entretanto, esse ponto também é um tanto controverso. Embora a filosofia vegana esteja diretamente relacionado ao consumo consciente e à sustentabilidade, ainda é uma dificuldade para o empreendedor investir em embalagens recicladas devido ao alto custo.

Enfim, todos esses assuntos merecem ser discutidos. O intuito deste post, porém, não é dizer se é certo ou não consumir o ovo vegetal, mas convidar você, leitor, para refletir sobre o tema e demonstrar que todos os posicionamentos são válidos.

O que você acha sobre o assunto? Deixe um comentário!

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2 comentários

    1. Obrigada pelo comentário, Megoh! Estamos sempre aprendendo e refletindo mais sobre o veganismo, e gostamos de compartilhar o que nos identificamos com nossos leitores! 🙂 <3

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