Blog
Plástico: o problema (in)visível

Plástico: o problema (in)visível

Você já tentou ficar algumas horas sem ver plástico no seu dia? Praticamente impossível. Mas o que fazer então?

Hoje o plástico é uma grande ameaça não só aos oceanos, mas à saúde dos animais e dos seres humanos. Você já tentou ficar algumas horas sem ver plástico no seu dia? Praticamente impossível. Mas o que fazer então? Vamos começar compreendendo melhor o problema.

Julho é o mês da conscientização sobre a questão do plástico e seu efeitos no meio ambiente, e o movimento pode ser encontrado pela hashtag #julhosemplástico.

Alguns números sobre o plástico

Vamos começar pelos números para ter uma noção. Os cientistas estimam que já tenham sido produzidos mais de 8,3 bilhões de toneladas de plástico na história da humanidade.

Quanto tempo demora para ser degradado? 100, 200, 300 anos dependendo do tipo de plástico. Mas, sinceramente, não importa. A verdade é que não faz nem 100 anos que o plástico como conhecemos foi criado e temos visto que ele não some, se torna microplástico! Fica tão pequeno e vai para tão fundo no oceano que lidar com esse problema se torna ainda mais complicado.

E para onde vai?

32% das embalagens plásticas (mundo) acaba no ambiente, 40% nos aterros, 14% é incinerado e 14% reciclado, mas apenas 2% efetivamente reciclado. A maior parte de todo esse plástico vai acabar nos oceanos.

Os principais rios ao redor do mundo carregam aproximadamente 1,15 milhão a 2,41 milhões de toneladas de plástico para o mar todos os anos – isso é equivalente a até 100 mil caminhões de lixo. Os oceanos recebem 8 milhões de toneladas de plástico por ano.

Você já deve ter escutado sobre as ilhas de plásticos gigantes: a mancha de plástico encontrada no Oceano Pacífico tem uma área de 1,6 milhões de km quadrados, o que equivale a 3x o tamanho da França.

Mas não é só lá que vai parar não. Segundo pesquisa feita para a PNAS com dados de 2010, 88% da superfície dos oceanos está contaminada com microplásticos.

Quais os danos causados pelo plástico?

O plástico causa acidentes aos animais, que, por exemplo, ficam enroscados: mais de 136 mil animais marinhos (baleias, golfinhos, tartarugas) são encontrados encontrados mortos em redes e materiais plásticos por ano.

Além disso o microplástico pode ser ingerido pelos animais marinhos, como os fitoplânctons, propagando-se por toda cadeia alimentar. Sem contar plásticos maiores, que são confundidos com comida e consumidos pelas aves e outros animais terrestres.

Mas o plástico não está só nos oceanos! Já está em toda a parte. Na água que sai da nossa torneira, no sal, em alimentos, na nossa cervejinha, no ar e dentro da gente.

O que agrava ainda mais é o fato de os pedaços de microplástico se ligarem a poluentes orgânicos persistentes, acumulando, assim, substâncias tóxicas (em grande parte geradas pela agroindústria), como PCBs, DDTs, HAPs. Esses produtos industriais causam danos à saúde, como alterações hormonais, problemas cardíacos e de visão, mal desenvolvimento fetal e, principalmente, câncer.

Patos nadando em um rio com garrafas de resíduos Foto Premium
Freepik

Mas de onde vem tanto plástico?

Em 1907 o químico Leo Baekeland criou o primeiro plástico totalmente sintético e comercialmente viável, o Bakelite. Surgem então os plásticos modernos, feitos à base de petróleo, carvão e gás natural.

Powered by Rock Convert

O processo de polimerização consiste em juntar moléculas menores em uma grande por diversas reações químicas. Desde então, centenas de plásticos, ou polímeros, foram criados pelas empresas petroquímicas para as mais diferentes utilidades, como o poliéster (1932), o PVC (1933), o náilon (1938), o poliuretano (1939), o teflon (1941) e o silicone (1943). 

Para encontrar a solução, devemos entender onde está o problema.

O plástico encontrado nos oceanos vem principalmente da pesca. 70% do plástico visível (macroplástico) encontrado nos oceanos é de redes de pescas abandonadas e tem muita relação com a pesca ilegal. Mais um motivo para deixarmos os peixinhos em paz, né?

Ele vem também das embalagens que consumimos, como podemos imaginar, mas também de outros lugares não tão óbvios como de nossas roupas, do atrito dos pneus nas ruas e do descarte incorreto de tintas acrílicas.

Ao andar de carro ou ônibus, o atrito dos pneus com o asfalto gera 20 gramas de microplástico a cada 100 quilômetros percorridos. As fibras têxteis de tecido sintético vão parar no ar do contato com nossas roupas e também se desprendem nas lavagens indo pelo ralo.

Os microplásticos também estão presentes em cosméticos (por ex. alguns esfoliantes) e produtos de higiene (algumas pastas de dente).

O que fazer para diminuir o consumo de plásticos?

Primeiramente devemos começar a observar os produtos embalados e parar de comprar, para ontem!

Mas enquanto ainda não é possível simplesmente parar de comprar tudo, afinal hoje em dia praticamente tudo vem em plástico, podemos usar os 5 Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. A reciclagem é o último dos casos, quando realmente não der mais para praticar os outros anteriores.

Com tudo isso de informação, podemos tomar melhores decisões. Compartilhe seus conhecimentos e dê dica para amigos e familiares. Vamos todos juntos nesse julho e vida sem plástico!


Referências:

https://www.ecycle.com.br/5901-plastico-nos-oceanos.html

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-foi-inventado-o-plastico/


Luíza Caldas é engenheira ambiental, fundadora da @vamos.coviver e do @obiobar. Permacultura, comunidades sustentáveis e conexão de pessoas.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.