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Por que e como ser uma empresa antirracista?

Por que e como ser uma empresa antirracista?

É sempre importante olhar para o racismo estrutural que existe na sociedade e refletir o que fazer para lutar contra isso. Entenda mais sobre como ser uma empresa antirracista!

Recentemente o Brasil inteiro ficou em choque diante de uma tragédia: um homem negro foi espancado até a morte pelos funcionários de um supermercado. E tudo isso ocorreu dentro do estabelecimento, em Porto Alegre.

Estamos longe de superar a perda de George Floyd, que foi estrangulado e assassinado por um policial branco em Minneapolis, entre vários outros casos que temos diariamente no Brasil, mas o caso de João Alberto jogou luz, outra vez, em uma triste verdade: o mundo ainda tem muito o que avançar na luta antirracista.

Lembrando que a luta contra o racismo não deve ser somente das pessoas negras, mas de todes, afinal, como já disse a diva Angela Davis, “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. Acompanhe o post para entender mais sobre como ser uma empresa antirracista!

Por que é importante falar sobre o antirracismo?

Sabemos que investir em diversidade e inclusão no empreendimento nem sempre é uma tarefa tão simples, pois mudanças culturais exigem esforço e disposição, e não acontecem de uma hora para outra. No entanto, com diálogo, estudo e estratégia são totalmente possíveis.

Quando se trata de pautar o racismo dentro da organização, mesmo em pequenos negócios, precisamos ter em mente que isso envolve expor vulnerabilidades e se comprometer com uma mudança. Sim, uma mudança, pois as consequências do racismo estrutural no Brasil afetam, também, as relações trabalhistas.

Trata-se de uma característica histórica do nosso país, a qual tem suas raízes no período da escravidão. Essa estrutura de opressão não acontece, apenas, na prática de ofensas — uma vez que a face comportamental é, na verdade, a ponta do iceberg. O racismo no trabalho (e em outras esferas da sociedade) opera no inconsciente e repercute nas mais diversas questões, como a apreensão estética e a sub-representatividade, segundo a tese de doutorado de Humberto Bersani.

Em outras palavras, o racismo estrutural segrega negros no mercado de trabalho. Isso fica mais evidente através de números: em 2019, o salário médio de trabalhadores negros era 45% menor do que o dos brancos. Os negros também ocupam menos cargos de diretoria, lideram a taxa de desemprego e são, consequentemente, os que mais recorrem à informalidade.

Sub-representação da população negra no mundo corporativo:

como ser uma empresa antirracista
Fonte: Instituto Ethos

Depois de todas essas informações que expressam essa desigualdade, é impossível não pensar no porquê de falarmos tão pouco sobre o assunto. Por que não debatemos os motivos pelos quais as pessoas negras ocupam postos precários e de menor renda no mercado de trabalho? Por que o desemprego atinge mais essa parcela da sociedade?

A resposta para muitas dessas perguntas está na história e na raiz do racismo no Brasil. Porém, é igualmente importante questionar: o que podemos fazer para enfrentar isso? A resposta é bem simples: seja antirracista. Seja uma empresa antirracista.

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Como ser uma empresa antirracista?

Apoiar nas redes sociais é legal, mas é preciso ir além disso

A repercussão do assassinato de George Floyd foi tamanha que várias empresas passaram a fazer o chamado ativismo de marca, isto é, posicionaram-se condenando a discriminação racial. Todavia, não adianta fazer posts bonitos no Instagram se você não vive a causa na prática.

Digo isso porque a incompatibilidade entre o discurso e a realidade empresarial ainda é gritante em muitas situações. É necessário entender que uma empresa antirracista vai além das redes sociais. Como fazer isso? Explicarei nos próximos tópicos.

Convidar toda a equipe a refletir sobre o racismo estrutural

Uma sugestão é convidar gestores, líderes e colaboradores a refletirem sobre suas falas, posicionamentos e atitudes. Além disso, a empresa precisa deixar claro em seus valores institucionais que não tolera o racismo.

Promover debates internos com o intuito de conscientizar e educar os profissionais é outra opção interessante. Assim, cada um entenderá o quanto contribui, de forma consciente ou não, para a reprodução e normalização do racismo.

Aprimorar processos seletivos internos para criar mais oportunidades

Não se trata de “dar preferência” às pessoas negras, mas sim de reparação histórica. É preciso ter em mente que existe uma lacuna de riqueza entre famílias brancas e negras, ocasionada pela escravidão. Isso porque, mesmo depois de conquistarem a “liberdade”, pessoas negras nunca foram livres de fato (a segregação racial nos EUA e o apartheid na África do Sul, da década de 40, são exemplos disso).

Essa lacuna vai além de valores monetários (que, para título de conhecimento, está entre 1,4 trilhão e 4,7 trilhões de dólares, conforme cálculos realizados pelo economista Robert Brown), estendendo-se ao acesso à moradia, à educação, à saúde e assim por diante.

Adotar posicionamentos e iniciativas efetivamente antirracistas

Mais do que debater, analisar e refletir, é necessário agir. A marca de sorvete Ben & Jerry’s, por exemplo, publicou um documento cobrando ações do governo que visem acabar com a injustiça contra pessoas negras.

Outra empresa que demonstrou algum posicionamento antirracista é a Nubank. Após uma declaração racista da diretora do Nubank no Roda Viva, a fintech brasileira declarou que está caminhando para que seu quadro de colaboradores reflita a realidade brasileira e admitiu que está aprendendo a executar a luta contra o racismo de forma efetiva (exposição de vulnerabilidades, lembra?).

Espero que a reflexão tenha sido útil e que você esteja ainda mais decidida ou decidido a ter uma empresa antirracista. Sabemos que abordamos brevemente o assunto neste post, mas navegando na internet é fácil encontrar conteúdos incríveis e adquirir livros relevantes acerca da luta contra o racismo no mercado de trabalho.

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Mayara escreve sobre coisas que fazem seu coração bater mais forte desde 2016. Também gosta de ler, bordar, tomar café, assistir séries e afofar seu coelho (não necessariamente nessa ordem). Conheça ela no Instagram @may_paes e no @bastidordesaturno.


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