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Sororidade: como ser uma mulher que levanta outras mulheres

Sororidade: como ser uma mulher que levanta outras mulheres

Entenda como ser uma mulher que levanta outras mulheres.

Depois do Big Brother Brasil 20 e o show que as sisters ofereceram na Globo, o termo sororidade esteve entre os mais buscados no Google, até porque ele não está presente em vários dicionários da língua portuguesa. Muita gente se interessou por entender o que é e como praticar esse conceito tão comum no feminismo.

O post de hoje tem o objetivo de responder algumas questões como: o que é sororidade e o que isso tem a ver com empatia? Em um mundo patriarcal onde mulheres, especialmente as pretas, são tão prejudicadas, é importante haver união entre nós. Continue a leitura para entender como ser uma mulher que levanta outras mulheres.

O que é sororidade?

A palavra sororidade advém do latim sóror, que significa “irmãs”. É a versão feminina do termo fraternidade, cuja origem está no prefixo frater, que quer dizer “irmão”.

Basicamente, trata-se de um conceito fundamental no movimento feminista, que envolve a irmandade, a união, o afeto e a amizade entre as mulheres (mas vai muito além disso). Essa solidariedade tem o objetivo de alcançar a igualdade e a liberdade que tanto desejamos. Para isso, precisamos ser capazes de ouvir, respeitar e dar voz umas às outras, sem julgamentos.

Muitas pessoas pensam, erroneamente, que expressar sororidade é a mesma coisa que gostar de todas as outras mulheres ou passar pano para os erros que elas possam vir a cometer. Essa não é a questão. O que realmente importa é ter empatia e se colocar no lugar da irmã, respeitando sua história, suas reivindicações e seu contexto.

Mais do que isso, a sororidade tem o papel de desconstruir essa ideia de rivalidade feminina. Muitas vezes, os comentários maldosos, as piadinhas de mau gosto e o bullying partem de nós mulheres para com as demais. Julgamos a forma como nos vestimos, o corte de cabelo que usamos, o modo como falamos…

Não podemos esquecer que o que uma mulher diz é muito desacreditado por essa sociedade machista. Muitas de nós, inclusive, desacreditam mulheres, o que é triste demais, pois nossa voz fica mais alta quando nos unimos. A mudança precisa começar dentro de nós e entre nós, por isso a sororidade é tão importante.

Como ser uma mulher que levanta outras mulheres?

Tudo bem se você não se identifica com outra mulher. Isso pode acontecer e nem sempre tem a ver com gênero da pessoa. Todavia, é preciso compreender que, apesar das diferenças, todas somos alvo de uma opressão em comum: a opressão de gênero.

Se você leu até aqui, deve ser porque deseja repensar sua visão em relação às outras mulheres e praticar a sororidade. Acertei? Então confira algumas ações simples e cotidianas para consolidar a aliança entre as mulheres.

Compartilhas informações, conhecimentos e oportunidades

Quer se tornar uma mulher que levanta outras mulheres? Então compartilhe seu poder. Você sabe de algo que pode ser útil para uma irmã? Fale! Domina algum tema que é do interesse dela? Ensine-a! Conhece uma oportunidade de trabalho ou estudo? Indique-a! Outra ideia é recomendar leituras que empoderam.

Vamos eliminar de vez essa competitividade que nos ensinaram nutrir desde pequenas. Não temos que sentir medo de ver a outra florescer, mas sim sentir orgulho e alegria por saber que fazemos parte do sucesso umas das outras.

Tratar outras mulheres da forma como você gostaria de ser tratada

Você não precisa concordar, talvez nem entender. Mas tem que respeitar, independente do contexto. Já tem gente demais apontando o dedo, desmerecendo e julgando as mulheres. Não seja mais uma. Em vez disso, coloque-se no lugar dessa pessoa e pense em como gostaria de ser tratada.

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Oferecer um ambiente seguro para troca de experiências e desabafos

Não estou falando de um ambiente físico, necessariamente. O que quero dizer é: seja esse “porto seguro”. Seja a pessoa que faz com que outras mulheres se sintam confortáveis em ser vulneráveis a ponto de compartilhar seus medos, suas dores e suas alegrias. Fomente essa rede de apoio.

Consumir e indicar o trabalho de mulheres

Você sabia que a taxa de desemprego entre as mulheres é mais alta que a dos homens? Pois é. Ás vezes, o empreendedorismo foi a única solução que a mulher encontrou para se inserir no mercado de trabalho e tirar seu sustento. Isso fica ainda mais evidente quando se trata de uma preta, de uma idosa e/ou de um mãe solo. Em vista disso, compre de uma empreendedora e apoie nas redes sociais.

Evitar comparações entre aparências de mulheres

Não sei você, mas eu não conheço uma mulher sequer que não encontre um defeito no próprio corpo. Dificilmente estamos satisfeitas e felizes em sermos quem somos, e isso tem muito a ver com as comparações machistas que ocorrem desde a infância.

Quando comparamos a aparência de duas mulheres, sustentamos esse estereótipo de que somos rivais. Sem mencionar que, assim, decretamos que a beleza é a maior e a melhor qualidade que podemos ter — o que não é verdade, pois somos muito mais do que um rosto e um corpo. Somos pessoas dotadas de potencialidades e donas de uma personalidade única. Somos bondosas, engraçadas, inteligentes, determinadas, honestas, sensíveis… A lista de qualidades só cresce!

Não sustentar picuinhas ou fofocar sobre mulheres

Novamente: não faça o que não gostaria que fizessem com você. Reveja quais brigas valem a pena se manter e quais são baseadas em picuinhas ou rivalidades desnecessárias. Por exemplo: a discussão se baseia na racionalidade? Ela será positiva e construtiva para as envolvidas? Ou estamos diante de um “ranço” gratuito?

Coloque-se no lugar da outra mulher. As coisas nem sempre são como parecem. Antes de apontar o dedo, reflita sobre a situação e tenha em mente que às vezes passamos por coisas que as pessoas nem imaginam, mas que se soubessem teriam outra visão sobre nós. Sendo assim, evite fofocas.

Tirar alguns termos do vocabulário

Quase todos os xingamentos direcionados a mulher tem a ver com seu comportamento sexual, o que é inadmissível, uma vez que estamos falando de algo que só diz respeito a ela. A forma como nos expressamos, nos vestimos e nos relacionamos é sempre associada a nossa sexualidade e usada para nos constranger.

Se já somos tão oprimidas, por que oprimirmos umas às outras? Busque tirar do seu vocabulário termos como “vagabunda”, “oferecida”, “vadia”, “mal comida” e “santinha”. Não use o sexo contra a mulher. O mundo já faz muito isso.

Duvidar quando um homem se referir à ex como louca

Outra palavra que temos que parar de usar para ofender uma às outras é “louca”. Esse termo é utilizado para estigmatizar mulheres por elas, simplesmente, expressarem suas emoções e opiniões. Quantas vezes você já precisou disfarçar a insatisfação ou, até mesmo, a irritação por medo de ser chamada de maluca, exagerada ou emocionada?

No passado era comum mulheres serem chamadas de loucas por escreverem, por argumentarem e por praticarem esportes, por exemplo. Entretanto, sejamos sinceras: isso ainda acontece. Inclusive, é bastante comum homens se referirem às exs como loucas. Não compre essa ideia, pois a próxima louca pode ser você.

A sororidade está em pequenas coisas, como cuidar de uma mulher que não está bem ou elogiá-la por qualidades que vão além de seu aspecto físico. Ser uma mulher que levanta outras mulheres é poderoso,  pois juntas multiplicamos a nossa força.

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Mayara escreve sobre coisas que fazem seu coração bater mais forte desde 2016. Também gosta de ler, bordar, tomar café, assistir séries e afofar seu coelho (não necessariamente nessa ordem). Conheça ela no Instagram @may_paes e no @bastidordesaturno.


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